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A População e o Rio

 



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Cultura e Água  

Os primeiros habitantes da bacia hidrográfica do Limpopo foram atraídos pelas suas águas e os seus recursos naturais. Como meio de sobrevivência, as povoações eram criadas e abandonadas de acordo com a mudança das condições climáticas. Os anos quentes e húmidos eram geralmente épocas de prosperidade, enquanto que os anos de estiagem marcavam tempos difíceis.

A Cultura do Zimbabué

A cultura do Zimbabué criou o primeiro Estado ao sul da África na bacia hidrográfica do rio Limpopo, na confluência dos rios Shashe e Limpopo . A cultura expandiu-se pela bacia, para a África do Sul e Zimbabué. A Cultura do Zimbabué foi dividida em duas classes distintas: Os plebeus e os nobres. Os nobres controlavam os recursos, e o chefe era legitimado pelo conceito de "liderança sagrada". A liderança sagrada permitia o acesso à divindade através de uma hierarquia de antepassados (Huffman 2000). Deus fazia chover, e a legitimidade e o poder de um líder dependiam, assim, da sua capacidade de intervir com Deus através dos antepassados, afim de garantir a fertilidade da terra. Anos de estiagem provocaria a troca do líder. A associação entre o líder e a terra é tão forte, que até há uma referência do século XVII ao ritual de suicídio do líder do Zimbabué, que se torna fraco ou desfigurado (Theal 1891-1903: 194). Segundo a tradição oral, a Rainha da Chuva da tribo Lovedu provém da cultura do Zimbabué.

A associação da cultura do Zimbabué entre o chefe e a pessoa que faz chover é diferente da associação cultural de outros grupos falantes das línguas Bantu. Os Nguni têm ervanários que preparam medicamentos e rituais de chuva como parte integrante da tradição de fazer chover.

A Rainha da Chuva

A Rainha da Chuva ou Modjadji é a chefe dos Balobedu, povo da Província do Limpopo na África do Sul. A sua sucessão real é passada da mãe para a filha primogénita e tem sido uma parte da tradição tribal desde o século XVI. Os líderes sul-africanos prestavam historicamente homenagem à rainha Modjadji da tribo Lovedu. Ao longo dos últimos 400 anos, os líderes do rei Shaka da tribo Zulu de Nelson Mandela viajavam para prestar homenagem à rainha, na esperança de serem abençoados por ela com dias de chuva (The Water Wheel 2006). A última rainha, Makobo Modjadji, morreu em 2005 e ainda não foi substituída.

Abaixo do solo nos arredores da bacia hidrográfica do rio Limpopo existe água. Isso faz com que a água seja o elemento principal da cultura da bacia.
Fonte: DWAF South Africa 2005
( clique para ampliar )

Água e Cultura no Botsuana

O povo do Batsuana compreendia o mundo em termos de calor, poeira e chuvas refrescantes. Para o povo Batsuana do sudeste, grande parte do seu sistema de crenças girava em torno de transformar o calor e a poeira em algo que alimentasse a vida. As chuvas eram controladas pelos antepassados. Assim, manter os antepassados felizes era o papel principal do chefe, garantindo que os mesmos enviassem chuvas macias, prolongadas e constantes. Devido à grande dependência da precipitação de chuva para manter a vida, observou-se pela primeira vez nos anos de 1920, que a transição sazonal de estiagem para o clima húmido tinha influenciado significativamente a mentalidade de muitos povos. Em Outubro, o deserto ganha nova vida e a flora floresce com as primeiras chuvas. O verbo florescer em Setswana (go thunya) também significa explodir e é equivalente ao nome (sethunya) que tanto pode significar flor,. Durante esta época do ano, observavam-se pessoas nuas em público a falar sozinhas, o que demonstra o efeito poderoso da chuva não só na paisagem mas também na mente humana (Livingston 2005).

A música e a dança tradicional que acompanha as orações de chuva podiam ser utilizadas como forma de protesto, se um chefe não conseguia fazer chover por negligenciar os seus antepassados (Denbow e Tebe 1946). Apesar de o cristianismo ser agora a religião principal no Botsuana, os ritos de chuva (gofethla pula) permanecem um aspecto importante desta cultura do deserto. Isto foi demonstrado na história sobre ‘El Negro’. Em outubro de 2000, os restos de um homem de Motsuana que estavam em exposição como modelo de taxidermia de ‘El Negro’ há 160 anos na Europa, foram devolvidos ao Botsuana. Um funeral público foi realizado em 2001 na cidade de Gaborone, e logo depois começou a chover. Os rumores de que a chuva estava relacionada com o regresso à casa do ‘El Negro’ não tardaram a ser espalhados (Gewald 2001).

Água e Cultura no Botsuana

A cultura é o meio pelo qual nos entendemos a nós próprios e pelo qual as experiências, realizações, esperanças, desejos e medos dos indivíduos podem ser transmitidos da família à nação, e da nação ao mundo. É através da cultura que construímos a identidade e o respeito. Com a cultura podemos comunicar aos outros ideias, sentimentos e percepções, dando-nos a conhecer de modo a construir um entendimento mútuo. A água é um meio de reunir indivíduos e nações de todo o planeta. Existem vários costumes que praticamos no Botsuana, que relacionam a água com a nossa cultura, mostrando claramente a que nação pertencemos. É através da cultura que aprendemos e crescemos como povo. A cultura em nós é tão importante, que é impossível imaginar uma pessoa ou uma sociedade humana sem cultura.

Como a maioria dos países africanos, a cultura no Botsuana é um aspecto que impulsiona a maioria das actividades de desenvolvimento. A água é a espinha dorsal das actividades económicas e de desenvolvimento do país; sem água a vida deixa de existir. A sociedade do Botsuana vê na chuva um grande valor que, em última análise, nos dá a água. Existem várias maneiras de celebrar a água ou a chuva no Botsuana. A palavra Setsuana para a chuva enquanto fonte de água é Pula.’ A unidade de moeda currente é também designada por Pula’. Trata-se pois de um longo caminho para afirmar o valor e o lugar da chuva e da água no país. A legenda na parte inferior do Brasão de Armas do Botsuana é Pula’. Este é talvez o instrumento do Estado mais honrado e respeitado. Os nomes dos filhos nascidos durante a estação chuvosa são ‘Mmapula’ (para menina) ou Rapula’ (para menino). Isto demonstra claramente que também os recursos humanos são valiosos, daí a associação dos apelidos à chuva. Também não é raro ver crianças a dançar e a saltar na chuva sempre que há uma chuva torrencial, cantando Pula nkgodisa’, o mito associado à prática que estimula a vitalidade e o crescimento saudável dos jovens’!

No Botsuana, a água é utilizada em diferentes ritos e cerimónias em termos culturais. Quando há festas de destaque nacional ou encontros nacionais importantes a serem abordados pelas grandes autoridades do país, incluindo o Presidente, o lema é, muitas vezes,cantar Pula!’ Na verdade, quando os referidos funcionários de alto nível concluem os seus discursos, terminam gritando Pula!’ – pelo menos três vezes. A multidão responde com entusiasmo de modo semelhante. Esta atitude exprime o desejo e a expectativa de receber mais chuva, que nos fornece água em abundância. Quando se recebe uma visita importante, o convidado recebe uma saudação especial, novamente com referências à chuva. A expressão em Setsuana é: Goroga ka Pula!’. Há ainda um outro uso da palavra chuva na cultura Tsuana, quando as comunidades fazem orações em épocas prolongadas de estiagem ou quando as chuvas se atrasam para além da época normalmente esperada. Nessas sessões, os membros da congregação cantam e choram sem parar Pula! Pula! Pula!’, com os olhos fixos no céu – talvez na expectativa de ver uma formação mística de nuvens! As circunstâncias acima reflectem a maneira como o país e o seu povo retratam a chuva e, em último, a água como algo precioso que traz vida ao Batsuana.

Contudo, a água vem em cores e formas diferentes. É por esta razão que, ao tomar consciência da extrema escassez de água no país durante a revisão do Plano Nacional de Águas - 2006 (BNWMP) - o país actualizou e reforçou as estratégias disponíveis para o desenvolvimento dos recursos hídricos, tendo em conta as implicações sociais, ambientais e económicas. O plano definiu e avaliou o potencial da gestão integrada dos recursos hídricos e as estratégias para o uso eficinte da água, tomando conhecimento de outras fontes de água alternativas, tais como águas residuais tratadas da reciclagem de água cinza de efluentes, água da chuva etc. juntamente com os recursos de águas superficiais e subterrâneas onde seja possível. No entanto, e culturalmente, há percepções negativas neste país sobre o aproveitamento do efluente tratado dos esgotos. Trata-se de um desafio para o governoe, para resolver esta questão, estão a ser implementados instrumentos de educação e de sensibilização ampla, aliadas às tecnologias inteligentes e adequadas. Tudo isso é feito no sentido de construir um Botsuana informado e apto em lidar com assuntos hidrícos o mais rápido possível.

Fonte: Bogadi Mathangwane e Jackson Aliwa

 



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