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A Gestão dos Recursos Hídricos

 



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Demanda de Água: Urbana e Rural  

O acesso a um abastecimento de água adequado é reconhecido como uma necessidade e direito humano fundamental e tem benefícios de saúde e económicos consideráveis para agregados familiares e indivíduos. A água é um serviço básico do ecossistema, necessário para uma vida e meios de subsistência sustentáveis.

O uso de água urbano é frequentemente agrupado com o uso de água industrial porque os centros urbanos estão frequentemente próximos de centros industriais. De modo semelhante, o uso de água rural é por vezes agrupado com requisitos de abeberamento de gado, de novo devido à proximidade das actividades. Tanto os usos urbano como rural de água incluem necessidades de água para uso doméstico.

A demanda de água em áreas urbanas e rurais é influenciada principalmente por:

  • População (incluindo crescimento e densidade);
  • Custo do desenvolvimento e serviços de água;
  • Escolhas tecnológicas com base na situação socio-económica dos consumidores de água; e
  • Clima.

Demanda na Bacia

A bacia do rio Limpopo é uma das mais populadas de África e, por isso, tem demandas de água urbanas e rurais significativas (Amaral et al.)Pelo menos 50 % da população em cada país vive em áreas rurais. Uma vez que a população está predominantemente nap arte sul da bacia do rio Limpopo, a parte sul tem uma utilização de água maior (Amaral et al. 2004).

Uma porção substancial da água usada no sector urbano é usada não para consumo e é descarregada como efluente que pode ser tratado e reutilizado (FAO 2004). Isto é discutido em mais detalhe na secção sobre Abastecimento de Água de Pequena Escala e Saneamentol de Infra-estrutura de Água.

A tabela abaixo apresenta a percentagem de demanda urbana e rural na bacia do rio Limpopo, em cada porção dos países ribeirinhos.

Demanda de água urbana e rural na bacia do rio Limpopo.

País

Demanda Urbana(%)

Demanda Rural(%)

Botsuana

4

7

Moçambique

0.3

5

África do Sul

47

84

Zimbabué

49

4

Fonte: Adapted from LBPTC 2010

A demanda de água urbana na África do Sul e noZImbabué representa 96 % da demanda urbana na bacia devido aos grandes centros urbanos presentes em cada país ribeirinho.

A África do Sul e o Botsuana representam 95 % da demanda rural na bacia devido à natureza de população rural de ambos os países na bacia.

Botsuana

Demanda rural e urbana, menos de 71 % do total da demanda, total no país na bacia do rio Limpopo. A demanda urbana pode ser atribuída ao facto da maior cidade capital, Gaborone, estar localizada na bacia do rio Limpopo. De acordo com um recenseamento de 2001 Gaborone tinha uma população de aproximadamente 186 000 (CSO 2001).

A Barragem de Gaborone desempenha um papel importante na gestão da demanda de água no Botsuana.
Fonte: Hatfield 2010
( clique para ampliar )

Moçambique

Conforme notado na secção sobre Uso e Distribuição de Água, a demanda urbana e rural em Moçambique na bacia do rio Limpopo, é inferior a 3 % do total nesta parte do país. Isto deve-se provavelmente à população dispersa e ausência de centros urbanos na bacia do rio Limpopo em Moçambique. Não existem cidades grandes na bacia do rio Limpopo, sendo o Xai Xai, com uma população de aproximadamente 116 000, o maior centro populacional (World Gazetteer 2007).

África do Sul

A demanda urbana na parte Sul-africana da bacia do rio Limpopo é aproximadamente24 % sendo que a demanda rural é apenas 5 % da demanda total (Uso e Distribuição de Água).

Os requisitos de água urbanos e rurais variam em cada uma das Áreas de Gestão de Água (WMA) da África do Sul na bacia do rio Limpopo (DWAF 2003a, b, c, d). A tabela abaixo apresenta uma sinopse das demandas urbana e rural em relação à população.

Demanda de água urbana e rural na África do Sul na bacia do rio Limpopo.

WMA

População Urbana

Grandes Centros Urbanos

Requisitos de Água Urbana(Mm3/ano)

População Rural

Requisitos de Água Rural(Mm3/ano)

Crocodilo (Oeste) e Marico

4 371 246

Joanesburgo, Pretoria

546.4

1 460 282

37.7

Levuvhu & Letaba

138 893

Thohoyandou, Tzaneen, Giyani

10.6

1 522 384

31.4

Limpopo

276 655

Polokwane (cidades principais incluem Musina, Makhado, Mokopane, Mookgopong, Modimolle

34.3

1 298 024

28.8

Olifants

912 151

Witbank, Middelburg

87.2

1 870 970

44.1

Total

5 698 945

 

678.5

6 151 660

142

Fonte: DWAF 2003a, b, c, d

A maior demanda de água e população é na parte sul da bacia do rio Limpopo, na WMA do rio Crocodilo (Oeste) e Marico que requer aproximadamente 80 % da demanda de água urbana nas quatro WMAs. Isto deve-se principalmente ao desenvolvimento urbano na área de Joanesburgo-Pretoria. A WMA do rio dos Olifants tem a segunda maior demanda de água com aproximadamente 13 %.

A população rural ultrapassa a população urbana em todas as WMAs com excepção da WMA do rio Crocodilo (Oeste) e Marico, todavia, a demanda rural só ultrapassa a demanda urbana na WMA de Levuvhu & Letaba. Isto porque a população rural é superior à população urbana em mais de quatro vezes na WMA de Levuvhu & Letaba.

Zimbabué

A demanda urbana na parte Zimbabuena da bacia do rio Limpopo é aproximadamente 50 % sendo que a demanda rural é inferior a 1 % da demanda total (Uso e Distribuição da Água). Isto é contrário ao facto de que aproximadamente 70 % da população no Zimbabué vive em áreas rurais (Nare et al. 2006). Isto pode ser explicado devido à população dispersa na bacia com a maioria da população centrada à volta de Bulawayo, a segunda maior cidade no Zimbabué, que está dentro da bacia do rio Limpopo.

Todavia, a demanda de água das comunidades rurais é raramente satisfeita devido a uma falta de infra-estrutura necessária para trazer a água a estas comunidades (FAO 2004).

As faltas de água em Bulawayo sentiram-se principalmente na água para beber conforme delineado no artigo informativo abaixo (IPS 2010b).

DIA MUNDIAL DA ÁGUA: Água em Todo o Sítio mas Nem uma Gota para Beber

Inter Press Service - Ignatius Banda

BULAWAYO, Mar 22, 2010 (IPS) – Quando há cortes de água em Bulawayo, as plantas na machamba de Ntombizodwa Makati, de 59 anos, ainda são regadas – mas a sua família passa sede.

Os agricultores de pequena escala em Bulawayo podem usar água residual reciclada para as suas culturas visto a região ser afectada por falta de precipitação adequada, graças ao programa do conselho municipal local. Mas não existem programas em vigor para fornecer água para beber aos agregados familiares na área. Makati é uma de muitos residentes urbanos a viver em subúrbios pobres, numa cidade de dois milhões de pessoas, que enfrentam faltas de água constantes e prolongadas.

O Dia Mundial da Água é no dia 22 de Março, a que a Agencias das Nações Unidas da Água atribuiu o tema de qualidade da água “Água Limpa para um Mundo Saudável”. Mas a qualidade da água continua a ser uma preocupação em Bulawayo. A cidade indica há já muito tempo a falta de recursos como o obstáculo para fornecer água para uso doméstico.

Makati queixa-se que apesar de poder regar a sua machamba na sua casa em Mabutweni, um subúrbio com uma elevada densidade de população, usando água residual fornecida pelo conselho municipal, ainda não há nenhuma alternativa de fontes de água para uso doméstico.

Em conjunto com os outros residentes, Makati tem sido forçada a recorrer a fontes de água abertas pouco seguras para uso doméstico quando deixa de sair água nas torneiras – algo que acontece regularmente.

"É cada vez mais frustrante ter de ficar sem água e sem ter nenhum aviso do município," diz Makati.

"Nós temos muita sorte quando chove porque podemos recolher água da chuva que achamos ser limpa e que podemos usar na cozinha," disse ela.

Todavia, a baixa precipitação que atingiu as regiões com predisposição para seca da região sul do Zimbabué significa que há pouco que Makati possa usar como fonte de água alternativa.

O que exacerbou a crise para Makati e muitos outros é que ela ainda tem de ferver a água pouco segura para beber, mas os cortes de electricidade tornam isto praticamente impossível. A incapacidade de purificar a água coloca muitas pessoas em risco de apanhar cólera. As memórias da epidemia de cólera de 2008 ainda estão frescas.

O Conselho Municipal de Bulawayo promete há quatro anos o uso daquilo a que chama “água aproveitada” em que água residual de estações de tratamento de água é usada para a agricultura e projectos agrícolas urbanos. Mas estas iniciativas ainda não se estenderam ao uso de água doméstico.

segundo funcionários da cidade, isto deve-se em grande parte à falta de fundos que levou ao atraso dos projectos tais como a extracção de água do rio Zambeze.

"Ainda estamos a enfrentar problemas financeiros que dificultaram a recolha de água subterrânea e a melhoria da qualidade de água e aumento da quantidade de água”, disse o porta-voz do município Nesisa Mpofu.

A qualidade da água continua a ser uma preocupação em Bulawayo com os residentes q queixarem-se que a água que sai da torneira por vezes parece água do rio, com uma cor castanha turva que indica claramente que não foi tratada com químicos.

O presidente da câmara municipal de Bulawayo, Thaba Moyo reconheceu as críticas à qualidade da água, especialmente nos subúrbios pobres onde vive a maioria dos residentes da cidade, como Makati. "Nós temos realmente de fazer os possíveis para dar água potável aos nossos residentes," disse Moyo numa reunião recente do município.

O Fundo das Nações Unidas para a Infância respondeu desde então com a doação de químicos para o tratamento de água à cidade como parte dos esforços para melhorar a qualidade da água.

No pico da epidemia de cólera de 2008, que a Organização Mundial da Saúde afirma ter custado mais de 6.000 vidas, o Conselho Municipal de Bulawayo fornecer comprimidos para o tratamento de água aos agregados familiares. Mas este programa foi interrompido depois das agências de doadores verem o declínio dos casos de cólera, disse Mpofu.

O Ministro dos Recursos Hídricos e Desenvolvimento de Infra-estruturas, Sam Sipepa Nkomo lamentou que os problemas de água da cidade vão demorar muito tempo a resolver, citando uma atribuição orçamental baixa ao seu ministério. O ministério recebeu pouco mais de 100 milhões de dólares para o orçamento de 2009/2010, mas Nkomo diz que a construção do aqueduto do Zambeze vai custar mais de 1,2 biliões de dólares.

A política em torno da água assombra o município há anos, e os funcionários citam a falta de dedicação do governo da altura do Presidente Robert Mugabe.

Com a continuação da precipitação baixa, que os especialistas dizem ter sido agravada pelos efeitos da mudança climática, os objectivos do Dia Mundial da Água parecem estar longe de serem realizados, diz a activista de direitos de água Susan Mbambo.

"Não houveram esforços tangíveis para arranjar fontes de água alternativas para uso doméstico, mas os agricultores têm estado a receber ajuda porque a água que usam é barata de reciclar mas ainda não pode ser usada para consumo doméstico," disse Mbambo que trabalha de perto com a Associação de Residentes de Bulawayo.

"O conselho municipal aponta a falta de apoio orçamental adequado do governo central para resolver os problemas de água e isto tem significado que os residentes recorrem a fontes como canos de água rotos para recolher água para uso doméstico," disse Mbambo.

No início deste ano, o conselho municipal citou problemas financeiros como a razão para não fazer a manutenção de cerca de 77 furos em Nyamayendlovu, uma povoação local.

Fonte: IPS 2010b

 



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